Começar a tomar um antibiótico e notar que as fezes ficam mais moles, mais frequentes ou urgentes pode ser desconfortável e suscitar muitas dúvidas. A diarreia associada a antibióticos é um possível efeito secundário, mas nem toda a diarreia que surge durante um tratamento tem a mesma causa ou exige a mesma resposta.
O mais importante é não tirar conclusões precipitadas. Por vezes, o incómodo é ligeiro e passageiro; noutras situações, pode coincidir com uma infeção digestiva, uma sensibilidade a determinados alimentos ou uma reação que precisa de avaliação por um profissional de saúde. Convém também lembrar que não se deve interromper nem alterar um antibiótico por iniciativa própria, a menos que um profissional de saúde o indique.
Porque é que os antibióticos podem causar diarreia?
Os antibióticos são concebidos para atuar contra determinadas bactérias. No entanto, durante o tratamento também podem provocar alterações temporárias nas bactérias que habitualmente vivem no intestino. Essa alteração pode modificar o trânsito intestinal e favorecer fezes mais moles ou mais frequentes.
A intensidade varia muito de pessoa para pessoa. Algumas pessoas notam apenas uma alteração ligeira durante alguns dias, enquanto outras têm mais urgência, cólicas ou desconforto abdominal. O tipo de antibiótico, a dose, a duração do tratamento, a idade, o estado de saúde e outros medicamentos que estejam a tomar podem ter influência.
Além disso, a diarreia pode não ser causada diretamente pelo antibiótico. Uma gastroenterite, um alimento estragado, uma viagem recente ou determinados medicamentos também podem explicá-la. Se os sintomas digestivos persistirem após o tratamento, pode ser útil considerar outras possibilidades, como a intolerância à lactose, sobretudo se os sintomas surgirem repetidamente após consumir leite, gelados ou outros produtos lácteos.
O que fazer se surgir diarreia durante o tratamento
Quando a diarreia é ligeira e não há sinais de alarme, a prioridade é evitar a desidratação. Beber água em pequenos goles ao longo do dia costuma ser uma medida simples e útil. Se as dejeções forem mais abundantes ou frequentes, podem ser necessários líquidos que ajudem a repor os sais minerais. Na farmácia, podem aconselhar sobre soluções de reidratação oral adequadas a cada situação.
Também ajuda simplificar temporariamente as refeições. Não é necessário fazer jejum nem seguir dietas extremamente restritivas. Convém optar por refeições simples, comer em quantidades moderadas e observar quais os alimentos menos bem tolerados. Alimentos muito gordurosos, álcool, alimentos muito picantes ou grandes quantidades de café podem aumentar a irritação ou a urgência em algumas pessoas.
Descansar, manter uma higiene cuidadosa das mãos e não partilhar toalhas se houver suspeita de uma infeção digestiva também são medidas sensatas. Se tiver náuseas, pode ser mais fácil beber pequenas quantidades de líquidos com frequência do que tentar beber muito de uma só vez.
É preciso deixar de tomar o antibiótico?
Não. Mesmo que a diarreia coincida com o início do tratamento, não convém interrompê-lo, reduzir a dose nem guardar cápsulas ou comprimidos para outra ocasião sem falar primeiro com o médico, dentista ou farmacêutico que o recomendou.
Interromper um antibiótico antes do tempo pode não resolver o problema e, dependendo do motivo pelo qual foi prescrito, pode dificultar o tratamento da infeção. A decisão de continuar a tomá-lo, alterá-lo ou considerar outra alternativa deve ser tomada por um profissional, depois de conhecer os sintomas, o medicamento utilizado e os antecedentes da pessoa.
Também é aconselhável consultar um profissional antes de tomar antidiarreicos por iniciativa própria. Alguns não são adequados se houver febre, sangue nas fezes, dor abdominal intensa ou suspeita de uma infeção que exija outra avaliação.
Microbiota, alimentação e suplementos: o que esperar
A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que vivem habitualmente no aparelho digestivo. A sua composição muda com a alimentação, o descanso, algumas doenças e certos medicamentos, incluindo os antibióticos. Compreender o funcionamento da microbiota intestinal pode ajudar a perceber porque é que, após um tratamento, algumas pessoas notam alterações digestivas durante algum tempo.
Os alimentos fermentados e as fontes de fibra fazem parte de uma alimentação variada, mas não são uma solução imediata nem são adequados para todas as pessoas enquanto tiverem diarreia. Se o intestino estiver especialmente sensível, convém voltar a introduzir gradualmente os alimentos habituais e observar a tolerância individual.
Quanto aos suplementos com probióticos, é importante manter expectativas realistas. As fórmulas, as estirpes, as doses e os contextos de utilização são diferentes, e a evidência não permite considerar que todos os produtos sirvam para prevenir ou tratar a diarreia associada a antibióticos. Um suplemento como Mas Flora pode ser uma opção que algumas pessoas considerem para acompanhar a sua rotina digestiva, mas não substitui a hidratação, o esquema de tratamento nem uma consulta quando os sintomas o justificam.
Antes de utilizar um suplemento durante um tratamento com antibióticos, é prudente pedir aconselhamento a um farmacêutico ou profissional de saúde. Esta precaução é especialmente importante para pessoas com as defesas baixas, doenças crónicas relevantes, grávidas, pessoas a amamentar ou pessoas com tratamentos complexos.
Quando convém consultar sem demora
A diarreia deve ser avaliada rapidamente se for intensa, piorar claramente ou vier acompanhada de sintomas que não correspondam a um incómodo ligeiro e passageiro. Deve consultar um profissional se surgir sangue, pus ou fezes negras; febre alta; vómitos repetidos; dor intensa no abdómen ou no reto; tonturas fortes; confusão; fraqueza acentuada ou sinais de desidratação, como boca muito seca ou urina escassa ou escura.
Também convém pedir aconselhamento se as dejeções líquidas forem muito frequentes, se não houver melhoria após alguns dias, se os sintomas começarem durante o tratamento ou pouco depois de este terminar e forem relevantes, ou se afetarem uma pessoa idosa, uma criança pequena, uma pessoa grávida ou alguém com o sistema imunitário debilitado.
No caso das crianças, é preciso ter ainda mais cautela, porque podem desidratar rapidamente. Não se recomenda administrar medicamentos antidiarreicos nem suplementos a menores sem indicação profissional.
Se a diarreia continuar depois de terminar o tratamento
Quando os sintomas se prolongam, reaparecem ou são acompanhados de perda de peso, cansaço acentuado, dor persistente ou alterações claras do apetite, é importante procurar a causa em vez de atribuir tudo ao antibiótico. O profissional pode avaliar a duração do problema, outros medicamentos, os alimentos menos bem tolerados, viagens recentes e a necessidade de realizar exames.
A diarreia persistente pode ter diferentes explicações, desde uma recuperação intestinal lenta até uma infeção, uma intolerância alimentar ou um problema digestivo preexistente. Se também houver acumulação de gases, pressão ou sensação de barriga inchada, pode ser útil analisar as causas frequentes de inchaço abdominal, sem presumir que todos os sintomas têm a mesma origem.
Em resumo, a diarreia durante um tratamento com antibióticos pode ser um efeito secundário relativamente frequente, mas deve ser acompanhada com bom senso. Hidratar-se, não alterar a medicação por iniciativa própria e saber reconhecer os sinais de alarme são as medidas mais úteis para agir em segurança.
Perguntas frequentes
É normal ter diarreia quando se tomam antibióticos?
Pode acontecer como efeito secundário, uma vez que os antibióticos podem alterar temporariamente o equilíbrio intestinal. Se for intensa, durar mais do que alguns dias ou surgir acompanhada de sinais de alarme, convém consultar um profissional.
Devo deixar de tomar o antibiótico se tiver diarreia?
Não deve interrompê-lo nem alterar a dose por iniciativa própria. Contacte o profissional que o prescreveu para receber uma indicação adequada ao seu caso.
O que posso beber se tiver diarreia por causa dos antibióticos?
Água em pequenos goles e, se as perdas forem importantes, soluções de reidratação oral recomendadas por um profissional ou farmacêutico. A prioridade é evitar a desidratação.
Os probióticos previnem a diarreia associada a antibióticos?
Nem todos os probióticos são iguais e a evidência não permite garantir o mesmo efeito para todos os produtos ou situações. Consulte um profissional antes de os utilizar durante um tratamento.
Quando é urgente consultar por causa de diarreia?
Consulte um profissional sem demora se houver sangue ou fezes negras, febre alta, dor intensa, vómitos repetidos, tonturas fortes, desidratação ou fraqueza acentuada.